sábado, 15 de dezembro de 2007

O Difícil Facilitário do Verbo Ouvir

"Ouve" é do verbo "ouvir". Pode ser a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo (ele ouve) ou a 2ª pessoa do singuar do imperativo afirmativo (ouve tu).
Exemplos: 3ª pessoa, presente do indicativo: Ele ouve bem. 2ª pessoa, imperativo afirmativo: Ouve o que eu digo.


Um dos maiores problemas de comunicação, tanto a de massas como a interpessoal, é o de como o receptor, ou seja, o outro, ouve o que o emissor, ou seja, a pessoa, falou.

Numa mesma cena de telenovela, notícia de telejornal ou num simples papo ou discussão, observo que a mesma frase permite diferentes níveis de entendimento.

Na conversação dá-se o mesmo. Raras, raríssimas, são as pessoas que procuram ouvir exatamente o que a outra está dizendo.

Diante desse quadro venho desenvolvendo uma série de observações e como ando bastante entusiasmado com a formulação delas, divido-as com o competente leitorado que, por certo, me ajudará passando-me as pesquisas que tenha a respeito.

Observe que:

1) Em geral o receptor não ouve o que o outro fala: ele ouve o que o outro não está dizendo.

2) O receptor não ouve o que o outro fala: ele ouve o que quer ouvir.

3) O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que já escutara antes e coloca o que o outro está falando naquilo que se acostumou a ouvir.

4) O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que imagina que o outro ia falar.

5) Numa discussão, em geral, os discutidores não ouvem o que o outro está falando. Eles ouvem quase que só o que estão pensando para dizer em seguida.

6) O receptor não ouve o que o outro fala, Ele ouve o que gostaria ou de ouvir ou que o outro dissesse.

7) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ela ouve o que está sentindo.

8) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ela ouve o que já pensava a respeito daquilo que a outra está falando.

9) A pessoa não ouve o que a outra está falando. Ela retira da fala da outra apenas as partes que tenham a ver com ela e a emocionem, agradem ou molestem.

10) A pessoa não ouve o que a outra está falando. Ouve o que confirme ou rejeite o seu próprio pensamento. Vale dizer, ela transforma o que a outra está falando em objeto de concordância ou discordância.

11) A pessoa não ouve o que a outra está falando: ouve o que possa se adaptar ao impulso de amor, raiva ou ódio que já sentia pela outra.

12) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ouve da fala dela apenas aqueles pontos que possam fazer sentido para as idéias e pontos de vista que no momento a estejam influenciando ou tocando mais diretamente.

Esses doze pontos mostram como é raro e difícil conversar. Como é raro e difícil se comunicar! O que há, em geral, são monólogos simultâneos trocados à guisa de conversa, ou são monólogos paralelos, à guisa de diálogo. O próprio diálogo pode haver sem que, necessariamente, haja comunicação. Pode haver até um conhecimento a dois sem que necessariamente haja comunicação. Esta só se dá quando ambos os pólos ouvem-se, não, é claro, no sentido material de "escutar", mas no sentido de procurar compreender em sua extensão e profundidade o que o outro está dizendo.

Ouvir, portanto, é muito raro. É necessário limpar a mente de todos os ruídos e interferências do próprio pensamento durante a fala alheia.

Ouvir implica uma entrega ao outro, uma diluição nele. Daí a dificuldade de as pessoas inteligentes efetivamente ouvirem. A sua inteligência em funcionamento permanente, o seu hábito de pensar, avaliar, julgar e analisar tudo interferem como um ruído na plena recepção daquilo que o outro está falando.

Não é só a inteligência a atrapalhar a plena audiência. Outros elementos perturbam o ato de ouvir. Um deles é o mecanismo de defesa. Há pessoas que se defendem de ouvir o que as outras estão dizendo, por verdadeiro pavor inconsciente de se perderem a si mesmas. Elas precisam "não ouvir" porque "não ouvindo" livram-se da retificação dos próprios pontos de vista, da aceitação de realidades diferentes das próprias, de verdades idem, e assim por diante. Livram-se do novo, que é saúde, mas as apavora. Não é, pois, um sólido mecanismo de defesa.

Ouvir é um grande desafio. Desafia de abertura interior; de impulso na direção do próximo, de comunhão com ele, de aceitação dele como é e como pensa. Ouvir é proeza, ouvir é raridade. Ouvir é ato de sabedoria.

Depois que a pessoa aprende a ouvir ela passa a fazer descobertas incríveis escondidas ou patentes em tudo aquilo que os outros estão dizendo a propósito de falar.

Por Artur da Távola

terça-feira, 9 de outubro de 2007

LOST - 3 temporadas em 8 minutos (Legendado)

A rede de TV estadunidense ABC produziu um compacto de oito minutos resumindo as três primeiras temporadas da série LOST.

Ótimo e pra quem não pegou a série desde o começo e gostaria de acompanhar a quarta temporada que retorna esse ano.



O vídeo está legendado em português, mas a locutora narra tão rápido que precisei assistir duas vezes, a primeira para ler as legendas e a segunda para finalmente ver as imagens.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Primeiro post!

Outro dia, bastaram-me apenas cinco minutos assistindo televisão para comprovar o que todos nós já sabemos: fala-se muito mau o Português e os jornalistas infelizmente, não escapam à regra.

"Fulano deve estrear pela primeira vez...", "Apesar do grave acidente, Ciclano ainda corre risco de vida...", "A chegada da polícia, o cadáver encontrava-se rigorosamente imóvel"; Enfim, este são apenas mais um dos milhares de exemplos que todos nós já vimos ou ouvimos. Mas o curioso fato que me fez criar esse blog, vêm do argumento usado por um entrevistador em um programa de rádio. Estava eu dirigindo distraído quando o elemento (que só pela disposição da conversa parecia um intelectual), soltou um: “Eu ouvo falar...” - confesso ter ficado gargalhando por horas....

Passado o hilário fato, fiquei a me perguntar: Quando terminará este assassinato do idioma? Editores, jornalistas, presidentes e proprietários dos órgãos de comunicação social, andam todos distraídos ou, mais grave ainda, não sabem de fato falar corretamente?

“Erros médicos, em geral, são fatais. Erros de engenharia provocam tragédias. Erros jornalísticos produzem vítimas silenciosas, dores de alma. Devíamos ficar em silêncio?”

Nesses 200 anos de imprensa no Brasil, os casos de erros e retratações são inúmeros. E pior do que um simples erro gramatical, é encontrar uma ofensa à pessoa errada (um dos mais comuns e de conseqüências mais danosas).

O erro é um dado real no ambiente profissional dos jornalistas, mas a sua tolerância não só contribui para o comprometimento da qualidade dos produtos e serviços resultantes, como também pode afetar mais diretamente a vida dos cidadãos. O erro pode destruir reputações, criar confusões e gerar o caos. Entretanto, nem sempre há a percepção destes perigos. As erratas nos jornais são escassas, têm pouca visibilidade e, muitas vezes, provocam mais erros, gerando total descontrole no processo.

Claro, errar é humano! Mas muitos erros jornalísticos de graves conseqüências poderiam ser evitados com um pouco mais de paciência, atenção e bom senso por parte de quem o faz (o jornalista). Há outros erros ainda, que resultam da precipitação, do descuido, da inexperiência e da própria incompetência. Estes erros podiam e deviam ser evitados.

Entretanto, enquanto espero mais atenção por parte dos profissionais que consistem em lidar com notícias, estarei aqui como um radar, buscando erros, falhas, bugs e falta de criatividade para publicar algo original! Ah! Em tempo, também pretendo usar esse espaço para publicar o que me der na telha, desde curiosidades, cultura inútil e coisas absurdas.

E passemos, doravante, a trabalhar com a razão e não com a emoção.